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Programa - 500536 - RIESI - RELAÇÕES INTERCULTURAIS NA EDUCAÇÃO SUPERIOR INDÍGENA - TECENDO A TEIA E PENEIRANDO AS AÇÕES

Descrição
 
Introdução e justificativa:
A inclusão dos estudantes indígenas no ensino superior faz parte de um arcabouço de ações afirmativas que por meio de um conjunto de medidas ou ações pretende promover o resgate histórico e permitir a desestruturação das relações assimétricas entre grupos sociais. Nesta perspectiva, a UFMG tem sido protagonista de iniciativas que não só procuram incluir na educação superior grupos historicamente excluídos como também aquelas que procuram romper com os campos delimitados de conhecimentos. O Programa de Acesso e Permanência de Estudantes Indígenas na UFMG (PAPEI-UFMG) e o PET-Conexão de Saberes Indígenas (PET-Indígena) são duas dessas iniciativas, a primeira ampliou o acesso dos indígenas aos cursos de graduação a partir da criação de 02 vagas suplementares e a segunda, se propõe a criar espaços concretos e virtuais para que os estudantes, indígenas e não indígenas, bem como, as/os/es professoras/es possam ter oportunidade de analisar e refletir sobre as questões etnoculturais à educação, à produção de conhecimento e suas implicações para educação acadêmica e profissional. Avalia-se que concepções e lógicas que caracterizam a formação acadêmica podem, potencialmente, redimensionar as relações e o lugar da/o estudante indígena em sua comunidade, são também, em alguma medida, submetidas à influência dos saberes e práticas originárias dessas/es indígenas. Esse Programa se orienta pela noção de que a transformação envolvida nos processos de educação é um movimento bidirecional, onde a pessoa não se transforma sem tocar ou transformar a outra pessoa. Na possibilidade da superação do racismo epistêmico, na realização do encontro intercultural crítico, potente o suficiente para construir e desenvolver a proposta da pedagogia decolonial. Compreende que a agência indígena na universidade, em resposta ao efeito catalisador da sua presença, pode desencadear iniciativas empenhadas na busca por novos processos educacionais, preocupadas com a transformação dos encontros pedagógicos na graduação em espaços privilegiados, concebidos enquanto ambiente dialógico, definidor de relações interculturais horizontais e indutor da necessária desconstrução das formas de ensino e de aprendizagem estruturadas em uma linguagem quase única, fundada no racismo epistêmico. Processos esses que poderão contribuir para sedimentar as bases de um saber outro, que não emerge da hibridização, mescla ou da escolarização dos saberes originários com o conhecimento científico, mas um saber que se responsabilize pela educação de indígenas e não indígenas outros, capazes de deflagrar uma transformação sociohistórica para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa. O Programa buscará articular projetos e ações do Programa PET conexão de saberes indígenas e outros projetos de extensão que tenham como objeto facultar as reflexões sobre a identidade indígena, desequilibrando as noções e os estereótipos que definem o indígena enquanto a/o personagem índia/o e as suas manifestações no mundo. A desconstrução dessa/e personagem e a assunção da pessoa indígena com sua história, saberes e ação no mundo impõe o reconhecimento de que as interações interétnicas são, via de regra, racistas, e portanto, discriminatórias, assimétricas, tuteladas e compreendem, traduzem o outro, pela perspectiva do grupo hegemônico. Nesse processo poderão ser intensificadas na universidade as bases para o diálogo entre as diversas perspectivas de estar no mundo, as quais se manifestam por diferentes línguas que falam da diversidade de saberes. Validar o movimento dialógico intercultural, como dito, é aceitar que este imprima transformações em não indígenas e indígenas, comunidade acadêmica e comunidade indígena. De toda maneira, é envolver a universidade num movimento decolonizador de revisão das suas práticas.
 
Objetivo geral:
Promover a criação de espaços concretos e virtuais para que as/os estudantes, indígenas e não indígenas, bem como,as/os professoras/es possam ter oportunidade de analisar e refletir sobre a incorporação das questões etnoculturais à ações de educação/aprendizagem, à produção de conhecimento e suas implicações para à educação acadêmica e profissional.
 
Objetivos específicos:
  Objetivos
a) Articular os projetos de extensão que tenham como objeto ações que oportunize a análise e reflexão sobre as relações interétnicas no ensino superior
b) Organizar encontros, seminários e oficinas para estimular a reflexão-ação-reflexão da luta política, organização e resistência dos indígenas sobre a sua realidade social, mediando um ideal de identidade para o sujeito-real e suas implicações para o ensino, a produção de conhecimento e a prática profissional;
c) Propor ações de educação para o desenvolvimento do diálogo intercultural entre as pessoas indígenas, não indígenas, comunidade acadêmica e comunidades indígenas.
d) Elaborar e desenvolver projeto de pesquisa para compreender os processos envolvidos no acesso, permanência e retorno às comunidades de origem das/os/es indígenas.
Metodologia:
As atividades deste projeto serão estruturadas utilizando-se a metodologia dos círculos de cultura, tendo em vista seu potencial para propiciar a produção do conhecimento num movimento espiral de reflexão-ação-reflexão, integrando todos os atores neste processo. Os círculos de cultura, criados por Paulo Freire, se estruturam no pressuposto da participação horizontal, onde todos os conhecimentos são validados e reconhecidos, permitindo o diálogo e o empoderamento social e político dos grupos e conhecimentos não hegemônicos. Realização de encontros, seminários, oficinas, no formato presencial e virtual, com a equipe de trabalho dos projetos e as pessoas participantes. A pesquisa decorre naturalmente da necessidade de compreender e documentar os processos desencadeados pela proposta, articulando-se diretamente com o aprendizado reflexivo.
 
Indicadores de avaliação:
a. Realização de pelo menos um encontro ou seminário ou oficina semestralmente para a organização do trabalho com os grupos integrantes dos projetos; b. organização de pelos menos 2 rodas de cultura com os participantes dos projetos no semestre; c. organização de pelo menos um encontro ou seminário ou oficina semestralmente para estimular a reflexão-ação-reflexão da luta política, organização e resistência dos indígenas sobre a sua realidade social, mediando um ideal de identidade para o sujeito-real e suas implicações para o ensino, a produção de conhecimento e a prática profissional.
 
 
Estudantes membros da equipe
 
Plano de atividades:
a. Participar das reuniões para a organização do trabalho de extensão junto aos diferentes Projetos; b. Realizar a revisão bibliográfica sobre a temática; c. participar da organização e das rodas de cultura e realizar o registro das temáticas desenvolvidas; d) participar da organização e dos encontros, seminários, oficinas; e) gerenciar e produzir material para a postagem na rede social do Programa; participar da elaboração e desenvolvimento projeto de pesquisa para compreender os processos envolvidos no acesso, permanência e retorno às comunidades de origem das/os/es indígenas.
 
Plano de acompanhamento e avaliação:
Reuniões quinzenais para proposição das metas de trabalho, revisão das atividades, análise dos resultados, avaliação dos fatores facilitadores e dos desafios.
 
 
Informações específicas
 
Articulado com política pública: Sim
 
Vínculo com Ensino: Sim
 
Vínculo com Pesquisa: Sim
 
 
Informações adicionais
 
Informações adicionais:
A temática que agrega os projetos e ações de extensão ao programa contempla a discussão sobre o acesso, permanência e retorno das/os/es indígenas à sua comunidade. Ressalta-se, entretanto, que os movimentos potencialmente derivados da agregação desses projetos contribuirão para reflexões que poderão gerar informações capazes de influenciar decisões na área da integração do diálogo intercultural na educação superior. Avalia-se ainda que a vinculação do programa aos povos indígenas poderá ser alcançada pelo co-gestão com as lideranças, mestres de saberes, professores indígenas, profissionais indígenas egressos da UFMG e u outras instituições de educação superior, estudantes indígenas das ações a serem estruturadas. Considerando os diversos povos representados pelas/os/es estudantes garante-se a capilaridade da proposta em diferentes regiões, como, Minas Gerais , Bahia, Espírito Santo, entre outras.
 
 




 

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