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Projeto - 404611 - Linhas da FaE - coletivo de bordado livre em defesa da Educação pública

Descrição
 
Introdução e justificativa:
O bordado é uma arte milenar encontrada praticamente em todas as culturas ao redor do mundo. Refere-se a um trabalho manual onde são utilizadas agulhas, tecidos, fios compostos por diversos tipos de materiais, fitas, pedras, entre outros ornamentos, que compõe formatos diversos. Atualmente, o bordado passa por inúmeras transformações, muitas vezes registradas por meio de adjetivos que qualificam algumas destas mudanças, expressando movimentos de reinvenção e construção de novos sentidos, tais como bordado livre e bordado contemporâneo. É neste contexto que emerge o projeto de extensão aqui apresentado. O coletivo "Linhas da FaE" advém de uma experiência online construída durante a pandemia de COVID-19, em 2021, quando um grupo de docentes e discentes da Faculdade de Educação (FaE/UFMG), junto com público externo, produziu um "Dicionário bordado" em homenagem ao centenário de Paulo Freire, posteriormente transformado em um livro virtual e em uma exposição presencial no espaço ArtEducação da FaE/UFMG, intitulados "Entre a linha e a palavra: bordados para Paulo Freire". Com o retorno das atividades presenciais em 2022, a mobilização do grupo ganhou força e docentes da referida Faculdade se organizaram para constituir o Coletivo, que visa à defesa da Educação pública em um cenário de ataque aos direitos da população brasileira. Uma das nossas inspirações para a criação do projeto reside no trabalho das arpilleras da resistência chilena, expressão estética e política do bordado. A Arpillera é uma técnica têxtil chilena cujas raízes situam-se em uma antiga tradição popular criada por um grupo de mulheres bordadeiras de uma localidade denominada Isla Negra, na costa central chilena. Consiste em contar histórias através do bordado. A folclorista Violeta Parra foi quem ajudou na difusão desse trabalho artesanal a partir de meados da década de 1960. Para ela, tal bordado é uma “uma linguagem para poder transmitir histórias, sonhos e conceitos”. Durante a ditadura militar chilena (1973-1990), muitas mulheres que tiveram seus familiares torturados, sequestrados e/ou desaparecidos passaram a confeccionar bordados de maneira coletiva, em igrejas, associações etc, narrando suas histórias de injustiça, dor e, também, de muita resistência. Em geral, as obras tinham como base recortes de um saco de arpillera (juta, em espanhol), por meio dos quais eram feitas denúncias de diversas situações de opressão, subalternização, violência e abandono, constituindo expressões da tenacidade com que levavam adiante a luta pela verdade e pela justiça. No período supramencionado, as arpilleras chilenas circularam em diferentes cantos do mundo, levando consigo as indignações e esperanças de uma população que passava a lutar contra o projeto neoliberal chileno levado à cabo pelo governo ditatorial, então pioneiro em terras latino-americanas. Ainda como inspiração para nosso projeto de extensão, destacamos a experiência de Coletivos criados em diferentes cidades do Brasil, conectados em um grande novelo, cuja iniciativa primeira é a do Coletivo "Linhas do Horizonte", do município de Belo Horizonte/Minas Gerais. O Coletivo, fundado no ano de 2016, caracteriza-se como suprapartidário e de esquerda. Por meio do chamado “bordado político”, atua na defesa de diferentes causas políticas e sociais e na defesa da democracia. Inspirados em tal iniciativa, outros grupos foram criados em diferentes regiões do Brasil, tais como: "Linhas do Rio", "Linhas de Santos", "Linhas do Mar", "Linhas de Porto Alegre", "Linhas da resistência". Com foco na defesa ambiental, o projeto “Linhas das montanhas – bordando águas” também ganha destaque. Dentre tantas possibilidades advindas da prática do bordado, salientamos o exercício da alteridade, que encontra lastro no que Luciana Brandão (2010) chamou de “Pedagogia da dádiva”: a possibilidade e a boniteza de compartilhar o que se sabe e aprender o que não se sabe; em situações marcadas por diálogo, trocas e reciprocidades.
 
Objetivo geral:
Constituir um coletivo progressista articulado em torno da defesa da Educação Pública como direito de todas as pessoas e dever do estado, cujas ações giram em torno do bordado livre como forma de expressão poética e política de suas pautas e demandas.
 
Objetivos específicos:
  Objetivos
Pautar o direito à Educação pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada, em todos os níveis e modalidades, bem como seus desafios e possibilidades de superação no contexto do Sul global, como eixo balizador da prática do bordado livre;
Publicizar, por meio da divulgação dos materiais produzidos pelo coletivo, pautas e demandas relativas à Educação pública no contexto do Sul global;
Fomentar a articulação das ações desenvolvidas pelo grupo com outros sujeitos (individuais e/ou coletivos), organizados em torno do bordado de resistência, na luta por direitos (à Educação, à Saúde, à Terra, ao Trabalho etc), incluindo povos do campo, das águas e das florestas;
Fomentar trocas de experiências e saberes, além da produção e divulgação de conhecimento/pesquisas sobre o tema entre participantes do coletivo (inclusive em diálogo com outros sujeitos individuais e coletivos), sobre a prática do bordado/das artes manuais e têxteis e suas relações com: questões de gênero e gerações; história das mulheres; os saberes e práticas de povos tradicionais
Metodologia:
A metodologia de trabalho se pauta na Educação Popular, na perspectiva freiriana. Neste sentido, todas as pessoas interessadas em compor o grupo são compreendidas enquanto sujeitos de experiências e de saberes, capazes de lidar com o bordado livre como forma de expressão poética e política para a qual não são demandados, como pré-requisito, “ser bordadeira” ou “bordadeiro” e/ou saber técnicas, simples ou não, de bordado. Buscamos desenvolver uma metodologia de trabalho que respeite experiências e saberes de cada participante. Por ter como base a Educação Popular, consideramos que o bordado é um espaço/tempo educativo de experiência e resistência, por isso, priorizamos a construção coletiva do aprendizado do bordado e também das nossas ações. Todavia, isso não inviabiliza a construção individual dos bordados, a qual pode contribuir significativamente para que os sujeitos desenvolvam suas criatividades e experimentação. Quanto à temática, prioriza-se o desenvolvimento de ações articuladas em torno da defesa da Educação Pública como direito de todas as pessoas e dever do estado. De modo amplo, as atividades do coletivo são compreendidas simultaneamente como práticas formativas, políticas e investigativas, nas quais as pessoas participantes são reconhecidas como sujeitos de saberes e experiências que se constroem no processo coletivo. Entre as principais estratégias metodológicas destacam-se as rodas de bordado, realizadas periodicamente e concebidas como espaços de encontro, escuta, diálogo e criação compartilhada. Inspiradas nos círculos de cultura freirianos, essas rodas favorecem a circulação da palavra, a troca de saberes e a construção coletiva de sentidos. O projeto também desenvolve oficinas, minicursos e atividades formativas em diálogo com diferentes públicos, tanto no interior da universidade quanto em articulação com escolas, coletivos, movimentos sociais e eventos acadêmicos e culturais. O coletivo realiza um processo contínuo de pesquisa sobre a própria prática, orientado por princípios da pesquisa-ação participativa. As atividades desenvolvidas são acompanhadas por registros, reflexões coletivas e análises que buscam compreender as potencialidades formativas, culturais e políticas do bordado no contexto das práticas educativas. Esse percurso vem sendo permanentemente sistematizado, buscando interpretar criticamente as experiências vividas, identificar aprendizagens produzidas e explicitar os sentidos do processo desenvolvido. Os resultados dessa sistematização são divulgados por meio de exposições, produções artísticas, registros audiovisuais, relatos de experiência, apresentações em eventos acadêmicos e publicações em diferentes meios científicos, culturais e digitais, contribuindo para ampliar o diálogo entre universidade e sociedade e fortalecer o bordado livre como prática artística, educativa e política na defesa da educação pública.
 
Indicadores de avaliação:
O projeto será avaliado permanentemente por meio da observação e da auto-avaliação de participantes, incluindo a equipe de coordenação e orientação. Serão realizadas reuniões periódicas do grupo para planejamento, desenvolvimento e avaliação das ações. É importante mencionar, também, que buscaremos escutar o público externo acerca das produções desenvolvidas, especialmente no que tange às reverberações dos bordados como forma de expressão poética e política de defesa da educação pública. Além disso, construiremos alguns indicadores, tais como: alcance da divulgação das ações e produções do Coletivo, interna e externamente, comentários das mídias digitais acerca dos das ações e produções realizadas, produções de bordados para ações específicas, tal como criado para o Centenário de Paulo Freire.
 
 
Estudantes membros da equipe
 
Plano de atividades:
Participar de reuniões periódicas do grupo, nos formatos presencial e/ou online, e da articulação poética e política do Coletivo de bordado livre;

Realizar estudos diversos sobre as temáticas abordadas pelo grupo;

Operacionalizar tecnicamente a organização do material em Google Drive;

Colaborar na produção de peças de divulgação de ações promovidas pelo Coletivo em meios sociais, científicos e artísticos;

Participar de eventos internos e externos à universidade relacionados à proposta do Coletivo;

Contribuir para o registro das atividades desenvolvidas pelo coletivo, por meio de fotografias, relatos, registros audiovisuais e produção de textos reflexivos;

Participar dos processos de pesquisa sobre a própria prática do coletivo, colaborando na análise das experiências formativas e educativas relacionadas ao bordado livre;

Colaborar na sistematização do percurso investigativo do projeto, organizando registros, materiais e reflexões produzidas ao longo das atividades;

Contribuir para a produção e divulgação de relatos de experiência, trabalhos acadêmicos e materiais de comunicação, em diferentes meios científicos, culturais e digitais.
 
Plano de acompanhamento e avaliação:
Plano de acompanhamento e avaliação

O acompanhamento e a orientação de estudantes participantes serão realizados de maneira periódica e processual por integrantes da equipe de coordenação, por meio de reuniões de planejamento, desenvolvimento e avaliação das atividades do coletivo.

Processo de avaliação:
O acompanhamento das/os estudantes vinculadas/os ao projeto ocorrerá de forma contínua, considerando sua participação nas reuniões do grupo, nas rodas de bordado, oficinas, minicursos e demais atividades promovidas pelo coletivo. Esse processo incluirá momentos de diálogo, observação das ações desenvolvidas e autoavaliação, buscando articular as experiências vivenciadas no projeto com os percursos formativos das/os participantes e suas interações no coletivo.

A avaliação também considerará a contribuição das/os estudantes para o registro das atividades realizadas, a reflexão sobre a prática desenvolvida e a organização dos materiais produzidos pelo grupo. A participação em processos de sistematização das experiências do projeto, bem como na produção e divulgação de relatos de experiência, registros audiovisuais, produções artísticas e trabalhos acadêmicos em diferentes meios científicos, culturais e digitais, também constituirá elemento importante do processo avaliativo.
 
 
Informações específicas
 
Articulado com política pública: Não
 
Vínculo com Ensino: Sim
 
Vínculo com Pesquisa: Sim
 
 
Informações adicionais
 
Informações adicionais:
O Coletivo vem dialogando com demandas por atividades como Rodas de Bordados, oficinas e minicursos, envolvendo grupos internos e externos à UFMG. Essas ações possuem caráter educativo amplo, articulando dimensões técnica, estética e política nos processos formativos, o que tem sido progressivamente reconhecido dentro e fora da universidade. No campo da pesquisa, o Coletivo se ancora nas investigações do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação do Campo (NEPCampo) da Faculdade de Educação da UFMG, afirmando o território como categoria central de análise. Articula-se a estudos sobre práticas estético-políticas da Educação do Campo, capazes de promover leitura crítica do mundo, registrar experiências e afirmar sujeitos coletivos historicamente silenciados, como evidenciado em reportagem da TV UFMG (vide resultados). Realiza atividades diversas junto ao Curso de Licenciatura em Educação do Campo, alcançando ações/sujeitos individuais e coletivos nas regiões Norte de MG e Jequitinhonha.
 
 




 

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