O Programa de Desenvolvimento Rural e Apoio a Agricultura Urbana (PRODERA) nasce da colaboração entre agricultores assentados em áreas de reforma agrária, estudantes e professores do Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com a finalidade de articular um conjunto de ações de pesquisa e extensão relacionadas ao desenvolvimento rural e fortalecimento da pequena produção agrícola e fomento à produção e reprodução animal. Essas ações são desenvolvidas no âmbito do ensino, pesquisa e extensão no âmbito do ICA. A criação do Programa foi resultado de trabalhos desenvolvidos desde 2006 por estudantes e professores que participavam do movimento estudantil e por isso tinham uma relação de diálogo e parceria com os movimentos sociais e compreendiam a importância da universidade se aproximar desses atores sociais. A mobilização estudantil no sentido de desenvolver ações pesquisa e extensão que levasse a universidade para próximo da sociedade e trouxesse a sociedade para dentro da universidade fez com que professores se aproximasse das ações dando mais legitimidade e institucionalidade ao processo, o que culminou na criação do programa em 2010. O programa tem o papel de contribuir com a formação de um profissional capaz de atuar nas diferentes realidades do campo brasileiro, os quais possam ter condições de contribuir na análise, na formulação e na execução de políticas públicas voltadas à pequena produção familiar bem como na elaboração de estratégias produtivas adequadas a cada realidade. Essa formação se dirige a comunidade universitária e os atores sociais envolvidos nas ações do programa. A extensão universitária, em diálogo com o ensino e pesquisa, é a principal ferramenta utilizada pelo programa na formação desses profissionais pois permite o contato com as demandas da sociedade forjando os estudantes e professores a buscar soluções para os desafios que estão colocados fora do ambiente universitário. Além do contato com as demandas a extensão universitária permite aos estudantes e professores uma troca de saberes com os atores sociais envolvidos, podendo estes ter acesso a um rico conhecimento que complementa as informações adquiridas no ambiente acadêmico ou permite aos estudantes e professores ter acesso a uma perspectiva diferente do trabalhado no ambiente acadêmico. Em 2014 os participantes do programa decidiram ampliar a área de abrangência do programa desenvolvendo ações na área urbana. Essa ampliação se deve a demanda de trabalhos de extensão em bairros próximos à universidade que apresentam diversas contradições que podem ser amenizadas com o apoio da universidade. Através da inserção na área urbana e a partir de discussões e debates e consequentemente a promoção de oficinas, cursos, dias de campo, visitas técnicas e palestras, os integrantes do programa definiram que promover ações na área urbana não está deslocado da perspectiva de desenvolvimento rural, principalmente no contexto das cidades do norte de Minas Gerais visto que na região a separação entre campo e cidade é tênue, sendo as áreas urbanas muito influenciadas pelas características rurais. Esse aspecto é ainda mais relevante nas regiões periféricas onde os moradores têm fortes ligações com o campo.
Objetivo geral:
Contribuir com desenvolvimento da extensão, pesquisa e ensino realizado pelo Instituto de Ciências Agrárias/UFMG através da promoção de ações que fortaleça a construção da sustentabilidade social, econômica, cultural, ambiental, política e demográfica do norte de Minas Gerais.
Objetivos específicos:
Objetivos
1.Promover ações que permitam o debate e a formação sobre os temas: desenvolvimento rural, questão agrária, reforma agrária, agroecologia, agroindustrialização, juventude rural, relações de gênero e gestão cooperativa de empreendimentos sociais, dentro e fora do ambiente acadêmico.
2.Desenvolver ações na área urbana, em especial na região do entorno do ICA/UFMG, buscando contribuir com a organização dos moradores para a construção de melhorias nessas localidades.
3.Realizar ações de extensão contribuindo para elaboração e consolidação de estratégias produtivas mais adequadas a realidade regional; Promover capacitações sobre questões técnicas ligadas ao desenvolvimento das unidades de produção seja em comunidades rurais, populações tradicionais ou assentamentos/acampamentos de reforma agrária.
4.Promover inclusão social e o acesso as ferramentas de informação digital; Fomentar a participação das mulheres e da juventude nas ações realizadas pelo programa.
5. Desenvolver pesquisa-ação com base no diferentes contextos trabalhados nas ações de extensão.
Metodologia:
O Programa se insere numa proposta de quatro vertentes de projetos de desenvolvimento rural nomeadamente: Ensino e extensão participativa e dialógica; Estratégica da captação das demandas das comunidades e; Os princípios norteadores da transversalidade de conteúdos. O programa se fundamenta também na irradiação dos conhecimentos técnicos e metodológicos com outras áreas da agricultura familiar e comunidades tradicionais, quilombolas e populações indígenas da região.
Métodos de trabalho;
a) Participação em reuniões e atividades já existentes nas comunidades rurais e urbanas da região.
b) Articulação política e troca de informações sobre demandas locais e regionais.
c) Promoção de reuniões para discutir as parcerias.
d) Elaboração conjunta de atividades de interesse dos agricultores e dos jovens rurais.
e) O Programa privilegia o planejamento participativo construído em áreas rurais e urbanas.
f) A coordenação do Programa articula com os líderes dos bairros e áreas rurais na marcação de datas para reuniões, visitas técnicas, viagens, aulas práticas, oficinas, cursos, demonstrações de campo, etc., ao longo do ano, ou seja, o cronograma participativo de atividades entre os membros do ICA e o público alvo do Programa.
g) Participação dos agricultores na orientação de aulas práticas e das oficinas.
h) Participação dos estudantes e dos professores do ICA em demonstração de práticas nos bairros e áreas rurais.
Nas avaliações das atividades de campo, nos acompanhamentos e orientações dos bolsistas incluem, também as lideranças e experts locais. Estes últimos fazem parte desta construção.
Indicadores de avaliação:
As avaliações dos trabalhos de extensão serão concebidas, aqui, como um processo de verificação participativa, dialógico e julgamento sistemático dos processos e produtos. Incluem neste processo:
a) Reuniões entre a coordenação, os bolsistas e os o público da ação para avaliar o andamento das atividade;
e) No final de cada ação apresentar resultados para a comunidade inserida naquela ação e saber da comunidade qual a avaliação que esta faz da ação.
f) Final de cada semestre os bolsistas apresentarão um relatório de atividades que será analisado pela equipe.
Estudantes membros da equipe
Plano de atividades:
1) Auxiliar o coordenador do projeto em atividades de extensão, inclusive na preparação e seleção de material para trabalho de campo, consoante relação elaborada pelos docentes da equipe;
b) Atuar junto ao professor coordenador na seleção de alunos voluntários para trabalhos práticos e experimentais na região de estudo;
c) Assistir os seminários ministrados pelos professores envolvidos na extensão, visando o seu aperfeiçoamento pessoal e efetivo acompanhamento dos conteúdos relacionados a pesquisa;
d) Organizar e orientar grupos de estudos no ICA e na região;
e) Elaborar juntamente com o professor responsável ou grupo de docentes ao qual está vinculado, o plano de trabalho que lhe cabe cumprir;
f) Executar, no tempo adequado, as atividades que lhe forem atribuídas, respeitadas as suas competências.
g) Participar em congressos, encontros regionais, nacionais ou internacionais, seminários e outros tipos de eventos relacionados com a extensão.
h) Auxiliar as atividades que serão ministradas pelos assentados na região Norte de Minas Gerais e no ICA
i) Participar na elaboração de relatórios de atividades de campo.
j) Participar na elaboração dos relatórios finais dos projetos de extensão.
Plano de acompanhamento e avaliação:
Na perspectiva deste programa, torna-se evidente a necessidade de integração concreta das três funções básicas da Universidade. Sem essa integração, dificilmente se poderá pensar que ela terá condições de preparar profissionais com a qualificação que o país exige. O bolsista estará envolvido em atividades de varias naturezas como: reuniões e visitas técnicas; pesquisa documental; levantamento de dados no campo, através de entrevistas; sistematização e conferência dos dados e finalmente na elaboração de relatórios e participação em congressos da área de conhecimento. Diante disso, o coordenador deverá, a cada semestre, elaborar um plano de trabalho coletivo da equipe.
Processo de avaliação:
O processo de avaliação se dará em duas fases:
1º A nível da coordenação do Projeto: mensal
Final de cada mês os coordenadores de projetos reúnem para discutir o andamento das atividades desenvolvidas pelos bolsistas, previstas no cronograma.
Os Bolsistas reúnem semanalmente com seus orientadores para programarem as atividades subsequentes
Relatório semestral e reuniões serão os instrumentos básicos para avaliação dos integrantes.
2º a nível da coordenação do Programa: semestral
Final de cada semestre a coordenação de cada projeto vinculado ao Programa entregará um relatório de avaliação dos bolsistas à coordenação do Programa.
Informações específicas
Articulado com política pública:
Não
Vínculo com Ensino:
Sim
Vínculo com Pesquisa:
Sim
Informações adicionais
Informações adicionais:
Ressaltar que para além de 194 familias dos 5 assentamentos (Darcy Ribeiro, Estrela do Norte, Carlito Maia, São Francisco, Irmã Dorothy) e um acampamento Novo Paraíso, o projeto conta com participação de academicos, docentes e servidores técnicos do ICA que perfazem um público de 49 pessoas. Este programa estará atrelado aos projetos que ja vem sendo desenvolvido pelo ICA na região Norte de Minas Gerais. Apartir de 2014 o PRODERA inicia com intervensao no entorno do campus ICA/UFMG com varias ações. Sao crianças, adolescente e adultos sendo beneficiados com ações sociais.