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Projeto - 402050 - Artesanias do Comum

Registro: 402050
Aprovado pelo CENEX em: 04/04/2016
 
Status: Ativo
 
Título: Artesanias do Comum
 
Data de início: 15/05/2014 Previsão de término:
31/12/2016
 
   
 
Data da última aprovação pelo Órgão Competente: 14/05/2014
 
Órgão Competente: Congregação
 
 
CARACTERIZAÇÃO
 
Ano em que se iniciou a ação: 2014
 
Unidade: Escola de Arquitetura
 
Departamento: Departamento de Projetos
 
Programa vinculado: IND.LAB
Principal Área Temática de Extensão: Tecnologia e Produção
 
Área Temática de Extensão Afim: Trabalho
 
Linha de Extensão: Desenvolvimento Regional
 
Grande Área do Conhecimento: Ciências Sociais Aplicadas
 
Palavras-chave: tecnopolítica; cartografia; nômade; artesanias; arquitetura tática; cultura; urbanismo performativo; mapeamento; movimentos sociais; multidão; biopotência; tecnologia social
 
 
DESCRIÇÃO
 
Apresentação e justificativa:
Artesanias do comum é um projeto extensionista, vinculado ao Programa IND.LAB_Laboratório Nômade do Comum, pertencente ao grupo INDISCIPLINAR, grupo de pesquisa do CNPQ sediado na Escola de Arquitetura da UFMG, que tem suas ações focadas na produção contemporânea do espaço urbano. Seus integrantes são professores, pesquisadores, alunos de graduação e pos-graduação oriundos de diversos campos do conhecimento ( Arquitetura, Economia, Geografia, Letras, Direiro, Filosofia, Engenharia, Design, Sociologia, Biologia, Antropologia, dentre outros) e de várias instituições acadêmicas no Brasil (UFMG, Universidade de Itaúna, PUC Minas, Centros Universitários UNA e UNIBH) e no exterior (Pontifícia Católica de Quito-Equador, Universidad Javeriana de Bogotá). Em suma, múlltiplas frentes de trabalho transversais umas às outras estão envolvidas neste projeto, desde disciplinas na graduação e na pós-graduação da Escola de Arquitetura, quanto parcerias com outras universidades em Portugal, na Espanha, no Equador e na Colômbia. Vale ressaltar que as atividades do grupo compreendem de maneira indissossiável teoria e prática, ensino-pesquisa e extensão.
Partimos do entendimento que apesar das forças hegemônicas de produção, baseadas exclusivamente na lógica da indústria e da ciência, cujo foco principal é o mercado, há uma invenção potente no cotidiano, engendrada taticamente pelos moradores, para resolver questões pertinentes à produção social do espaço, seja na escala do corpo, da moradia e/ou da cidade. Inspirados em Boaventura de Souza Santos, denominamos essas ações de Artesanias e apostamos na importância do seu mapeamento e na identificação de seus pressupostos de produção (autoconstrução/autoprodução, reutização de de materiais descartados, associação de materiais diferentes ou de diferentes tamanhos por meio de engenhosas conexões no intuito de adaptar esses materiais às finalidades que se pretende; etc.). Essas artesanias se aproximam das invencões do cotidiano teorizadas pelo Michel de Certeau (1994) e do saber-fazer do artífice explicitado por Sennett (2009). Outro conceito que nos é caro é o conceito do comum, entendido aqui como sendo o “excedente que não pode ser expropriado pelo capital nem capturado na arregimentação do corpo político global” (HARDT; NEGRI,2005, p.275), que se manifesta por meio de revoltas globais, mas também por “práticas, linguagens, condutas, hábitos, formas de vida e desejos”. Por fim, temos como balizas teóricas os pressupostos da economia solidária e da tecnologia social, e, por isso, os textos do Roberto Dagnino e Paul Singer serão algumas de nossas referências. E para entender as várias organizações de produção e troca nas sociedades, recorreremos aos textos de Karl Polanyi (A grande transformação e A subsistência do homem).
Imbuídos desses conceitos, nosso objetivo nesse projeto é o de potencializar práticas urbanas e arquitetônicas nas quais as artesanias e a produção do comum estejam presentes, a partir de uma cartografia ampla de seus procedimentos e pressupostos, tendo como horizonte o projeto e/ou a construção de dispositivos arquitetônicos e urbanos que possam fortalecer uma rede de produção e troca baseada na solidariedade e no compartilhamento de saberes científicos e cotidianos, atravessados simultaneamente por questões e decisões políticas e poéticas.
 
Objetivos gerais:
O objetivo deste projeto é potencializar invenções já em ação no território, produzida a partir das emergências do cotidiano, seja na escala do corpo, da moradia ou da cidade. Esse processo será desencadeado por meio de uma cartografia e de uma coopesquisa direta com os atores dessa produção, dando enfâse àqueles que estão associadas aos movimentos sociais que lidam com temas urbanos e políticos da atualidade (ocupações urbanas, vendedores ambulantes, artistas de rua, agricultura urbana, etc). P
 
Objetivos específicos:
- Cartografar a produção do espaço engendrada pelos moradores no seu cotidiano, seja na escala do corpo, da moradia ou da cidade.
- Cartografar os conflitos socioambientais e as emergências que desencadeiam essa produção.
- Cartografar os coletivos de arte, arquitetura e design que atuam na esfera do urbanismo tático tanto no Brasil, quanto na Iberoamérica (Plataforma Urbanismo Biopolítico);
- Cartografar as relações econômicas em jogo, buscando identificar: as moedas correntes (financeiras ou não), as formas de propriedade (individuais, coletivas, compartilhadas, etc), as relações de troca (permuta, venda , aluguel, emprestimo, doação, etc), os contratos sociais em jogo;
- Cartografar os atores humanos e não humanos dessa produção: pessoas envolvidas e suas habilidades; materiais e ferramentas em ação; lojas e depósitos de materais; pontos de descarte e coleta de materiais; etc.
- Produzir um inventário das cartografias desenvolvidas não só no intuito de dar visibilidade à essa produção, como também transformar o entendimento que comumente se tem sobre essa produção como algo negativo, sem valor, irracional.
- Produzir objetos e dispositivos urbanos e arquitetônicos (mobiliário, equipamentos urbanos, vestimentas, moradias, etc) a partir do encontro dos saberes cotidianos e acadêmicos que possam auxiliar na autogestão dos espaços de produção do comum (ocupações urbanas, ocupações culturais, vilas, favelas).
- Organizar material gráfico (livros e revista, cartilhas e
 
Metodologia:
As metodologias desenvolvidas nesse projeto incluem:
- Interlocução direta (reuniões, rodas de conversa, etc) com os moradores de territórios de conflito socioambiental, nos quais, apesar da pobreza material e da vulnerabilidade social presentes ali, é possível identificar engenhosas soluções para as emergências e urgências postas no cotidiano.
-Cartografias e coopesquisa para o mapeamento dos atores humanos e não-humanos envolvidos na produção dos inventos do cotidiano e das relações sociais e econômicas em ação no território.
- Cartografia dos coletivos de arte, arquitetura e design que atuam na esfera do urbanismo tático tanto no Brasil, quanto na Iberoamérica utilizando a plataforma georreferenciada (crowdmap) denominada Urbanismo Biopolítico: https://urbanismobiopolitico.crowdmap.com (aqui estão envolvidos uma pesquisa de Pós-doutorado desenvolvido na Espanha e um TCC realizado na Colômbia;
- Oficinas/workshops de capacitação e trocas de saberes tendo como pressupostos: processo de decisão e projetação horizontal compartilhado, tecnologia social e economia solidária. Em suma, pressupostos para a produção do comum.
- Processo intinerante e nômade para a realização das oficinas no intuito de facilitar a participação dos moradores dos territórios parceiros e de afirmar o reconhecimento de lugares de produção de saberes para além daqueles usualmente credenciados pela ciência e pela academia.
- Produção de cartilhas e manuais em redes sociais e eventos, em linguagens acessíveis, visando uma divulgação ampla do material produzido (copy left) e a autonomia de produção dos futuros interessados na informação compartilhada.
- Todo o processo visa o empoderamento e autonomia dos grupos sociais envolvidos, como também a transformação dos proprios pesquisadores (alunos e professores) quando em contato com a prática da extensão.
 
Forma de avaliação da ação de Extensão:
Em cada ação do projeto haverá uma forma de avaliar o processo, tendo em vista que a lógica de produção pode variar de acordo com os grupos envolvidos e com as relações construídas, e consequentemente pode resultar em: relatórios, entrevistas, artigos acadêmicos, cartilhas e manuais, realização de eventos de discussão (seminários e encontros), construção de objetos, realização de eventos de troca e comercialização (feiras e bazar), construção de uma rede de troca e compartilhamento da produção do comum (objetos, material gráfico, venda/troca de produtos, etc)
 
Site: indisciplinar.com
 
Origem do público-alvo: Interno e Externo
 
Caracterização do público-alvo:
O público alvo do programa é vasto, pois pretende-se ativar processos de empoderamento social e autonomia de grupos sociais.
 
Captação por edital de fomento: Não
 
Articulado com política pública: Não
 
 
ESTUDANTES MEMBROS DA EQUIPE
 
Plano de atividades:
-Encontros e reuniões na Escola de Arquitetura, sala 500 (sala sede do IND.LAB- Laboratório Nômade do Comum, programa de extensão no qual esse projeto está vinculado) para discussões teóricas e metodológicas que norteiam esse projeto
-Realização das cartografias das artesanias produzidas nos territórios parceiros: ocupações urbanas e/ou culturais.
- Produção de inventários das artesanias mapeadas
-Realização de oficinas e workshops na Escola de Arquitetura (PEIXARIA- sala ???) e/ou nos territórios parceiros para a produção de dispositivos/objetos a partir dos procedimentos mapeados na produção das artesanias (aproveitamento de resíduos, bricolagens, relações de trabalho e troca, etc), agregando alguns preceitos da ciência e da indústria eleitos pelo grupo como importantes otimizadores para as finalidades pretendidas (tais como: racionalização constructiva, modulação, facilidade de montagem e desmontagem, etc)
- Construção de cartilhas e manuais dos objetos produzidos
- Realização de seminários e encontros para discussão sobre a produção de artesanias articuladas com o conceito do “comum”
- Bazar e feiras para a troca e venda tendo como horizonte a produção de uma rede economica solidária e compartilhada (cooperativas, financiamentos colaborativos, etc)
 
Plano de acompanhamento e orientação:
Reuniões semanais com participação efetiva dos professores-orientadores como integrantes do projeto acompanhando e orientando os estudantes.
Também serão utilizadas diversas estratégias de trabalho colaborativo via redes sociais (grupos de discussão no facebook, grupos de what's up, grupo de emails). As postagens cotidianas no blog também deverão fazer com que todos estejam atualizados o tempo todo em todas as etapas do Programa e seus Projetos.
Participação efetiva em todas as etapas do plano de atividades.
 
Processo de avaliação:
As formas de avaliação têm um leque de indicadores que são verificados por meio de observação, formulação de questionários, entrevistas, roda de conversas a serem efetuados pela equipe, envolvendo os parceiros das ocupações e professores convidados.
 
 
INFORMAÇÕES ESPECÍFICAS
 
Infra-estrutura física:
O Programa Artesanias do Comum conta com espaço físico do Programa IND.LAB_Laboratório Nômade do Comum, sediado na Escola de Arquitetura, equipado com infraestrutura de informática e também com oficinas de artesanias, montando no espaço da PEIXARIA ( Escola de Arquitetura), com os equipamentos de tecelagem, estamparia e marcenaria do Programa DESEJA.CA, atualmente vinculado ao IND.LAB. Além disso, pretende-se que as oficinas aconteçam nos territórios das ocupações urbanas e culturais, facilitando a participação dos moradores e interessados e reconhecendo esses lugares como espaços vivos de criação e invenção
Vínculo com Ensino: Sim
Vínculo com Pesquisa: Sim
Público estimado: 10.000
 
 
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
 
Informações adicionais:
Este é um Projeto que pretende ser nômade e estabelecer diversas parcerias com ONGS, grupos sociais, grupos culturais, ocupações, Vilas e favelas, outros grupos de pesquisa, etc.
 

   

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